A casa como espaço familiar e espaço social: um estudo semiótico do espaço

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Paulino, Vicente. 2012. A casa como espaço familiar e espaço social: um estudo semiótico do espaço. In Negro, Francesca (org.), Público privado: o deslizar de uma fronteira, Ribeirão: Húmus, pp.119-134. 119 A CASA COMO ESPAÇO FAMILIAR E ESPAÇO SOCIAL: UM ESTUDO SEMIÓTICO DO ESPAÇO Vicente Paulino * INTRODUÇÃO Reflectir sobre a casa e as suas representações artísticas sob a perspectiva teórica da semiótica significa preocupar-se com a questão da recepção ou, simplesmente, com a significação de habitabilidade enquanto espaço familiar e social. As casas privadas (espaço familiar) e públicas (espaço social) convergem num movimento difuso e, certamente, na sua função existencialista, construtivista e artística contêm o sentido do signo como a palavra, o corpo, e o objecto, o movimento e a luz. A arte da construção da casa e de a habitar é um objecto semiótico por natureza. O conceito do que entendemos actualmente por „casa‟ revela o modo como o homem a constrói e a contempla. A noção de representação da casa como „espaço familiar vs privado‟ e „espaço social vs público‟ está vinculada ao ritual mágico e religioso tradicional, que é tão antigo quanto o homem. Nasceu assim a significância metafórica e cósmica da casa, a partir do momento em que a sociedade tradicional colocou o seu espaço habitacional como espaço de ritualização e fluxo de vida. A casa é a força de integração para os pensamentos, as lembranças e os sonhos do passado, do presente e futuro. Sem ela, o homem seria um ser disperso; ela assegura a vida de um ser no risco e na incerteza. É o primeiro espaço que dá continuidade de vida ao homem. É alma gémea de um ser. A casa é um espaço doméstico e, dentro dela estabelecem-se sistemas mediadores e simbólicos que permitem a circulação das actividades sociais mais amplas. * Universidade de Lisboa. Bolseiro da Fundaçõa Calouste Gulbenkian.

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Paulino, Vicente. 2012. A casa como espaço familiar e espaço social: um estudo semiótico do espaço. In Negro, Francesca (org.), Público privado: o deslizar de uma fronteira, Ribeirão: Húmus, pp.119-134.

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A CASA COMO ESPAÇO FAMILIAR E ESPAÇO SOCIAL:

UM ESTUDO SEMIÓTICO DO ESPAÇO

Vicente Paulino*

INTRODUÇÃO

Reflectir sobre a casa e as suas representações artísticas sob a

perspectiva teórica da semiótica significa preocupar-se com a questão

da recepção ou, simplesmente, com a significação de habitabilidade

enquanto espaço familiar e social. As casas privadas (espaço familiar) e

públicas (espaço social) convergem num movimento difuso e,

certamente, na sua função existencialista, construtivista e artística

contêm o sentido do signo como a palavra, o corpo, e o objecto, o

movimento e a luz. A arte da construção da casa e de a habitar é um

objecto semiótico por natureza. O conceito do que entendemos

actualmente por „casa‟ revela o modo como o homem a constrói e a

contempla. A noção de representação da casa como „espaço familiar vs

privado‟ e „espaço social vs público‟ está vinculada ao ritual mágico e

religioso tradicional, que é tão antigo quanto o homem. Nasceu assim a

significância metafórica e cósmica da casa, a partir do momento em

que a sociedade tradicional colocou o seu espaço habitacional como

espaço de ritualização e fluxo de vida.

A casa é a força de integração para os pensamentos, as lembranças e

os sonhos do passado, do presente e futuro. Sem ela, o homem seria um

ser disperso; ela assegura a vida de um ser no risco e na incerteza. É o

primeiro espaço que dá continuidade de vida ao homem. É alma gémea

de um ser. A casa é um espaço doméstico e, dentro dela estabelecem-se

sistemas mediadores e simbólicos que permitem a circulação das

actividades sociais mais amplas.

* Universidade de Lisboa. Bolseiro da Fundaçõa Calouste Gulbenkian.

Paulino, Vicente. 2012. A casa como espaço familiar e espaço social: um estudo semiótico do espaço. In Negro, Francesca (org.), Público privado: o deslizar de uma fronteira, Ribeirão: Húmus, pp.119-134.

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A casa faz declarações tanto públicas quanto privadas, ou seja, a

casa tem múltiplas funções quer no âmbito de colectividade, quer no da

vida familiar. Por outras palavras, as casas na sua dimensão hermética,

associam-se sempre com a concepção da origem do mundo, dos seres e

da humanidade com a sociedade e os indivíduos actuais. Nesta

perspectiva, o que determina se o espaço “casa” é público ou privado?

Mesmo que um espaço seja destinado a um fim específico, isso não

significa que, desempenhará a função para a qual foi construído.

Nenhuma casa é um invólucro, porque todas as casas, modestas ou

ostentosas, conservam em si o espírito de quem as construiu e a alma

de quem as habita. Esta relação, aparentemente excessiva, contém em si

mesma, uma ideia de „lar‟, embora nem todas as casas sejam um „lar‟.

Um „lar‟ é o local onde a família se congrega, se refugia, se fraterniza.

Porém, a casa não é apenas um lar para ser habitado, é antes de mais

uma habitação que tem características próprias, embora implique de

algum modo uma certa cumplicidade, o estabelecimento de ligações

afectivas e a projecção de sentimentos, tais como o de protecção, o de

segurança, o de mistério, o de prazer, etc.

Daí, a constituição do „eu‟ enquanto identidade do ser „pessoal‟ e a

construção do „eu‟ enquanto pertencente do ser „colectivo‟, que se

correlaciona com a apropriação do espaço habitacional, habitualmente

chamado „casa de habitação‟. Habitar significa „ser‟, isto é, permite

afirmar a identidade do „eu‟ enquanto sujeito principal – ser

“habitador” – da casa, que está também associada a outra identidade do

„eu social‟ que, “[D]e facto, o sentido objectivado nas coisas ou nos

lugares do espaço não se livra completamente a não ser através de

práticas estruturadas segundo os mesmos esquemas que se organizam

em relação a eles reciprocamente” (Bourdieu, 1980:443-444).

1. CASA COMO ESPAÇO FÍSICO E DE VIVÊNCIA

No estudo semiótico do espaço, a „casa‟ pode ser considerada como

um signo que deve ser interpretado à luz das três descrições de Peirce

(1977): primeiridade, secundidade e terceiridade. Na primeiridade, a

„casa‟ enquanto signo deve ser entendida como objecto totalmente

diferente de qualquer outra coisa (por exemplo, uma „casa‟ pode ser

habitada por uma determinada família, mas na realidade não é apenas

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um lugar para ser habitado, é mais do isso); na secundidade, a „casa‟ é

destinada a execução de alguns trabalhos colectivos concretos que lhe

conferem harmonização (por exemplo, o menino apreende a primeira

‘regra de vida’ em casa. O objecto visualiza „casa‟ e o sujeito visualiza

„menino‟, „regra de vida‟ e a acção que o menino está apreender); na

terceiridade, a regra geral é a de que os factos futuros irão confirmar

que o conceito „menino apreende a primeira ‘regra de vida’ em casa‟

pode ser ensinado pelos pais, tios, avôs e irmãos mais velhos, bem

como ensinado na sala de visitas, ou no quarto.

Ao longo dos tempos, o homem sempre demarcou a sua existência

pela criação de modelos de classificação do espaço, como a distinção

estabelecida entre o „meu espaço‟ (espaço privado – pessoal e familiar

– e espaço social) e o „outro espaço‟ (espaço abstracto e espaço

religioso). No caso concreto, a „casa‟ é edificada ou construída como

um espaço próprio, fechado e seguro (pano de fundo da constituição da

cidade), em oposição a „outro espaço‟ (abstracto), aberto e arrojado que

constitui uma extensão do próprio homem. Neste sentido, salientamos

que é a partir da casa que o homem produz, duplica ou se representa a

si próprio como algo „organizado‟ e „valorizado‟, em contraste com o

que é desconhecido ou pertence a outrem, talvez como algo

„inquietante‟ e „desvalorizado‟. Como tal, a representação da „casa‟

enquanto espaço constitui a parte integrante do universo e da própria

condição de existência da cultura humana, pois de facto, é pela

representação de espaços como a “casa” que o próprio homem constrói

a sua plenitude humana. Esta engloba o labor, Trabalho e acção, pois

segundo Hanna Arendt (2001:19-21): “a condição humana compreende

algo mais que as condições nas quais a vida foi dada ao homem. Os

homens são seres condicionados: tudo aquilo com o qual entram em

contacto torna-se imediatamente uma condição da sua existência”. Em virtude disto, percebe-se que na interacção do Homem (no

sentido plural do termo) com o mundo ao qual viemos, ele cria, produz

e estabelece o seu próprio Ambiente. Todavia, nesse processo de

transformação do mundo à medida das suas necessidades, o Homem

respeitar-se-á tanto mais quanto mais respeitar a Natureza de que ele

também é parte (Paulino, 2009:4). Ao fazer da sua casa o centro de

planificação do projecto de vida onde “a vida social, em todas as suas formas,

moral, religiosa, jurídica, etc., é função de seu substrato material e varia

com esse substrato, isto é, com massa, a densidade, a forma e a composição

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dos grupos humanos” (Mauss, 1974:325) e sob a forma de

representação da consciência cultural de materialidade e de

imaterialidade estes grupos humanos encontram “a relação mais

profunda da arte moderna em geral com o realismo; a modalidade

crescente da vida real não se manifesta só na modalidade idêntica da

arte, mas o estilo da vida e o da arte provêm da mesma raiz profunda”

(Simmel.1990:126).

A „casa‟ é um espaço de vivência do ser humano. Ela é o resultado

de uma produção técnica e artística do homem em larga escala e do

deslocamento que, no estudo de comunicação, é tomado como um

sistema estruturado de signos e códigos segundo o qual se produz

sentido, porque o conteúdo e o processo de produção de sentidos são

recíprocos (Fidalgo, 2009; Eco, 1990; Rodrigues, 1991). Por esta razão,

a „casa‟ enquanto espaço, é construída segundo os padrões de eficiência

que caracterizam a racionalidade produtiva do ser. A „casa‟ é um

espaço demarcado por dois poderes: o poder masculino e o poder

feminino, ambos são princípios construtivos do espaço, dotando-o de

materialidade, ou seja, atribuindo-lhe uma espacialidade singular e

plural. A „casa‟ é por definição um espaço físico, por isso, a noção da

sua espacialidade é semelhante com a “representação colectiva do

espaço”, pois segundo Emile Durkheim (1912 [2002:14-15]),

“[a] representação espacial consiste essencialmente numa primeira

coordenação introduzida entre os dados da experiência sensível, mas

tal coordenação seria impossível se as partes do espaço se

equivalessem quantitativamente, se fossem realmente substituíveis

entre si. Para podermos dispor espacialmente as coisas, precisamos

de as poder situar diferentemente: pôr umas à direita, as outras à

esquerda, estas em cima, aquelas em baixo, a norte ou a sul, a leste

ou a oeste, etc.,”.

Ao longo da história, a „casa‟ tem sido, por natureza, categorizada

como espaço de reprodução, de aprendizagem, de construção e de

socialização e humanização, como se pode ver na apresentação da

figura abaixo e respectivas explicações:

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Figura 1 – A categorização da significância da casa

1) A reprodução, vinculada à acção do homem na multiplicação da

vida humana, de cunho eminentemente biológico como um processo da

constituição da vida familiar. Considerado nesta perspectiva e a

propósito dos povos Barasana da comunidade Índia da América

meridional, Edmund Lead (1985:82-83) caracteriza metaforicamente a

casa como um mapa dos órgãos internos do corpo humano. É neste

ponto que este autor apresenta duas funções para a casa. A casa no seu

conjunto é, por um lado, vista como um corpo humano, em que a porta

principal „masculina‟ da casa representa a boca onde se introduzem os

alimentos e de onde saem os enunciados verbais. O centro comum é o

lugar da digestão. A porta „feminina‟ por trás é o ânus, e através dela

são deitados fora também os restos da cozinha. Por outro lado, a casa é

vista como um ventre, em que a porta principal “masculina” é a vagina

através da qual os homens transmitem o sémen; as divisões femininas,

dispostas em semicírculo atrás, representam os alimentos e o sangue

que as mulheres dão ao feto; o centro comum da casa representa, pelo

contrário, o ventre no sentido do lugar de procriação, tanto cultural

como biológico dos novos membros do grupo familiar (cf. Hugh-Jones,

1976) que, no caso concreto das mulheres indonésias (incluindo as de

Timor), James Fox (1980) considera-as como “fluxo de vida”. O que

permite perceber o processo de reprodução da unidade doméstica em

contextos onde a casa estabelece e controla os meios de produção.

2) Categoriza-se a casa como espaço de aprendizagem, porque ela é

o lugar onde o homem despertam e consolidam aprendizagens e, deste

modo, a família é a primeira instituição que transmite um importante

interesse pelos livros, ou seja a valorização da comunicação escrita, seja

através da leitura de jornais, revistas, ou pelo uso de bilhetes e pelo hábito de

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contar histórias. É certo que só em casa, a criança vai aprender as

primeiras importantes noções sobre “o que é certo” e “o que é errado”,

relativamente aos valores de vida pessoal e social, tais como,

cumprimentar as pessoas, respeitar os mais velhos, arrumar as coisas.

Este tipo de valores faz parte da educação que qualquer membro da

família (nomeadamente a criança) adquire e aprende em casa, antes de

poder praticar na sociedade em geral.

3) Casa como espaço de construção, é o centro de construção da

identidade familiar (pessoal e colectiva) baseada nos usos e costumes,

ou seja, o lugar onde o Homem faz o plano de viver em comunidade,

partilhando a alegria do amanhecer e a tristeza do entardecer; a casa

como espaço de construção está próxima a noção de espaços

incorporados (embodied space), porque permite trabalhar em conjunto

dimensões que são frequentemente ligadas a experiência vivida

partilhada, ou que ainda está em construção, isto é, “O espaço

incorporado é o local onde a experiência humana e a consciencialização

assumem forma material e espacial (…) é apresentado como um

modelo para entender a criação do lugar, através da orientação espacial,

do movimento e da linguagem” (Low & Lawrence-Zúñiga, 2003:2) e

através do “agir comunicacional” (Habermas, 1987).

4) A casa não é só lugar de protecção e de segurança, mas espaço de

socialização e humanização dos valores éticos. É na casa que vive o ser

humano e cultiva as experiências de amor, de solidariedade e de

respeito; é na casa que os pais, os filhos e outros membros da família

constroem a primeira pedra de solidariedade social. Neste contexto, o

que permite esta reconstituição é precisamente a mudança no eixo de

relacionamento das categorias de parentesco, família e aliança. Através

desta lógica de reprodução grupal, “[o] que permanentemente se

reproduz são relações que, por sua vez, produzem novas relações

através da transmissão de substâncias partilhadas” (Camps, 1998:231),

substâncias essas que se baseiam no conceito de sociétés à maison

(Lévi-Strauss, 1984).

Em virtude destas categorizações, é necessário definir que a „casa‟ é

o centro de todas as actividades humanas ligadas à vida pessoal e social

e, todas elas circulam num ciclo chamado „ciclo de vida‟, ou aquilo que

Pierre Nora (1984) designa como “lugares de memória”. É por isso que,

construir uma casa faz parte de um processo de comunicação, isto é,

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comunicar com o espaço e o tempo, com a recta e a areia, bem como

com todos materiais de construção. Neste sentido, é preciso um olhar

atento para dialogar com tais objectos, porque eles também falam

silenciosamente dentro do seu universo, podendo este processo ser

considerado como “uma interacção simbólica, na qual a possibilidade

de transferir mensagens ocorre na base de signos segundo regra cultural

e socialmente partilhada” (Crespi, 1997:197).

Construir uma casa – como já disse – é um acto de comunicação,

porque produz uma mensagem a partir de signos como „espaço‟,

„tempo‟, „recta‟, „área‟ e „os materiais de construção‟. O „espaço‟ é um

signo estático que dá sustentáculo ao ser humano para que este possa

construir a sua casa e respectiva aldeia ou cidade urbana; o „tempo‟ é

um signo dinâmico que ajuda o homem a regular a duração do seu

trabalho: o marco do início e do fim. Com efeito, o „espaço‟ e o

„tempo‟ são signos de índices classificatórios em que o significante é

contíguo ao significado. Um tipo importante de índices são os

deícticos, isto é, as expressões que referem demonstrativamente. Por

exemplo, „vamos construir aqui uma casa‟, „aquele espaço muito

verde‟ são índices do espaço. Os dias e os meses são índices; assim

„vamos construir amanhã, a casa da nossa prima e acabá-la à tarde’

contém índices de tempo. Deste modo, o tempo não é índice absoluto e

nem consequencial de uma percepção individual, mas constitui um

componente material de cada uma das variáveis que formam o sistema

de circularidade do lugar através de uma velocidade fixada pela rotação

do planeta terra.

Os materiais de construção são ícones representados por vários

signos “martelo, prego, madeira, sementes, betão, zinco, areia, etc.,) em

que existe uma semelhança topológica entre o significante e o

significado. No caso em estudo são diagramas como os planos de uma

casa que têm uma correspondência topológica com o seu objecto.

É certo que, no estudo semiótico do espaço, a construção da casa

(designadamente a construção da nova morada) engloba a produção e

reprodução dos lugares e dos conjuntos espaciais encarados nas

representações do espaço, que estão ligadas com à existência de

conhecimento, signos e códigos específicos. No entanto, enquanto sistema

semiótico, a arte da construção da casa e de a habitar é sempre determinado

pelo cenário do tempo e do espaço. Certamente, para se entender a linguagem

artística da casa, definida como „espaço familiar‟ e „espaço social‟, é preciso

recorrer a outros sistemas artísticos, como a pintura, a escul-

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tura, a arquitectura, a decoração e o design da composição estrutural.

São estes sistemas que se encarregam de representar um espaço

geográfico, um espaço social ou um espaço interior.

Neste contexto, é de salientar que seja qual for a teoria adoptada, a

produção do espaço como „casa‟ é um produto, dos conhecimentos que

temos sobre ele e que estão associados ao processo de reprodução do

espaço de uma dada sociedade a partir de um determinado sistema de

signos. Isto é, “os espaços de representação, quer dizer o espaço vivido

através das imagens e dos símbolos que o acompanham, portanto

espaço dos „habitantes‟, dos „utentes‟, mas também de certos artistas e

talvez daqueles que descrevem e crêem só descrever: os escritores, os

filósofos. É o espaço dominado, portanto submetido, que tenta

modificar e apropriar-se da imaginação” (Lefebvre, 1986:49).

No entanto, na vida quotidiana, a necessidade comunitária do

homem reveste-se de uma significação prática; a situação extra-

temporal e extra-espacial que transporta o seu modo de sentir e de

olhar, através da virtude de um sentimento artístico, faz com que este

ser na sua plena consciência, revele a essência mais profunda da

humanidade. Assim, o homem é designado como criador da obra de

arte, pois o seu humanitarismo artístico e consciência cultural dão

acesso ao valor simbólico da espiritualidade, que permite a

comunicação entre o espaço, o tempo e o homem, a ser realizada na

unidade social, comunicação que o próprio ser estabelece no seu

quotidiano. Pois percebe-se que o espaço e o tempo são elementos que

aparecem em todas as sociedades, e que têm por todo o lado, qualquer

coisa de comum (Ledrut, 1979); por isso, é necessário considerar os

espaços, as suas representações e as suas individualidades sociais como

íconicos inseparáveis na interacção humana.

2. A CASA COMO ESPAÇO FAMILIAR

A casa é o espaço privado por excelência onde tem lugar o labor

quotidiano do ser humano, especificamente das famílias, ao mesmo

tempo que se posiciona como espaço familiar onde todos os membros

da família podem conviver e partilhar das mesmas ideias, intimidades e

preocupações. A casa não pode dissociar-se do conceito de „espaço

privado‟, sendo-o já por natureza. Como espaço familiar, a casa é

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regida pelos usos e costumes, afecto e amizade de cada membro da

família. Daí que o espaço da casa não reflicta a vida quotidiana como

um todo, mas apenas um fragmento da história social de um tempo e

uma amostra de cultura material que se opõe ao público como um

espaço reservado e íntimo. Tal espaço na esfera privada segundo Jürgen

Habermas (1984) está associado à casa porque até o seu carácter físico

e simbólico fazem dela um espaço de prolongamento de vida das

pessoas que nela habitam.

A casa como espaço familiar tem dois espaços particularmente

distintos: o espaço privado (quarto de dormir) e o espaço público

(varanda, sala de visitas e outras divisões). No que diz respeito ao

primeiro, é de sublinhar que os valores de privacidade são construídos

pelo homem no seu espaço mais restrito que é o quarto, o lugar mais

íntimo onde cada membro da família pode desfrutar da sua privacidade

e intimidade. Assim, a família torna-se cada vez mais privada dentro do

seu próprio espaço familiar.

Relativamente ao segundo, é de salientar que há dois espaços

públicos: varanda e sala de vistas. A varanda é um elemento constante

das habitações na sociedade contemporânea e, por isso, numa

linguagem da arquitectura doméstica pode ser considerada como parte

da cultura material, o que acaba por reflectir a estética de uma moradia

que esteja, por exemplo, rodeada de pequenas plantas domésticas. A

existência de uma varanda é muito importante, porque ela carrega

consigo diversos significados para quem a utiliza, sendo expressão de

bem-estar no ambiente da casa.

A propósito disto, é de sublinhar que a varanda surge como um

elemento físico da casa situado na parte da frente do edifício, voltado

para a parte visível do mesmo, é um espaço que “faz parte dos

sentimentos primordiais gerados pela arquitectura que é o de entrar em

casa, atravessar a porta, cruzar a fronteira entre o exterior e o interior”

(Pallasmaa, 2006:487), podendo, portanto, ser considerada como um

espaço de transição entre dois mundos ou duas esferas sociais distintas. A sala de visitas é um espaço dentro da esfera privada que se destina a

receber pessoas que vêm de fora; é um dos espaços mais públicos da casa e

é mais público do que o quarto, não deixando, porém, de ser classificada

como um espaço semi-público e semi-privado, categorias que

suavizam a oposição entre os termos público e privado.

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Figura 2 – A divisão da casa enquanto espaço familiar

1

O sentimento de insegurança da sociedade actual, devido ao

aumento da criminalidade, fez com que a casa começasse a fechar-se

em torno do círculo familiar. Este sentimento de insegurança é uma

expressão da representação social do meio, como uma forma de pensar,

de interpretar e dar o sentido à realidade (Jodelet, 1989), que em

determinadas situações, leva as pessoas a colocarem grades nas janelas

e construírem muros altos em volta da casa para sua segurança. Embora

o aumento da urbanização das grandes cidades tenha trazido

perturbações capazes de invadir a privacidade tranquila dos moradores,

a casa não perdeu o seu estatuto primordial que sem dúvida representa

a protecção contra os perigos do mundo contemporâneo. Assim, a segurança é avaliada em proporção directa com a distância a

que o indivíduo estiver da sua casa, quanto mais próximo, mais seguro se

sente. Esta forma de avaliação é directa e espontânea, segundo Jürgen

Habermas (1984:61): “o isolamento do membro da família, mesmo no

interior da casa, passa a ser considerado como algo positivo”, ressaltando

ainda que a casa continua a ser o espaço mais habitável para o indivíduo

1 Esta divisão da casa que apresentamos está de acordo com a divisão da casa dos

timorenses, onde normalmente, a cozinha e a “casa de banho” são construídas como

independentes fora da „casa principal‟. O esquema da divisão da casa apresentada na

figura é um dos esquemas arquitectónicos que consideramos mais aplicável ou

utilizável pelos timorenses na construção do seu espaço habitacional.

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e, ao mesmo tempo, mais estreito e mais pobre para a família. Quer isto

dizer que, os espaços da casa, nomeadamente os quartos que eram

chamados quartos de dormir; são hoje, associados a uma saleta, um

banheiro e um pequeno escritório, espaços estes que são independentes

entre si.

Em virtude disto, Daniel Soares Lins (1999:132-133) destaca que a

análise do imaginário da casa e da rua implica um estudo quase

exegético da violência, e das suas representações simbólicas, codificada

na gestão do quotidiano. Tal pressupõe um desenvolvimento e uma

elaboração multipolarizados da questão, o que ultrapassa o âmbito

deste estudo do espaço da casa enquanto espaço familiar e, mais

globalizante, enquanto espaço social. Levando em consideração a força

do imaginário semântico, que parece significar a insegurança da

sociedade actual perante a violência, seja ela a forma inicial do

nascimento ou da invenção, pode-se afirmar que a importância da casa

como espaço privado representa, apesar de suas ambiguidades e de

economia emocional permeada por dramas e, as vezes, por tragédias, o

campo simbolicamente preservado pela força da violência codificada.

3. A CASA COMO ESPAÇO SOCIAL

Na perspectiva antropológica e sociológica, a casa é um espaço social

que representa a estratificação da sociedade local e global. Pela sua

natureza e posição no espaço social, ela representa os três níveis de

estratificação social da relação de oposição „dominadores/dominados‟: o

alto, o médio ou intermédio e o baixo (Lindoso, 2005:240). Estes

elementos também podem ser condicionados pela altitude do território de

uma sociedade, por exemplo, no caso concreto das casas antigas

timorenses construídas nas aldeias.

No nível alto, a “casa” é caracterizada como símbolo social de

dominação; no médio ou intermédio, ela traduz um espaço de transição

estaminal; e no nível baixo, ela representa (numa linguagem estereotipada)

as condições sociais de submissão ou de opressão. Estas caracterizações

expressam, de um modo geral, a “casa” como um espaço social que

representa uma determinada realidade social, a polarização de uma

sociedade profundamente estratificada, hierarquizada e dividida em

pólos de poder absoluto e de submissão absoluta, como se vê na

pirâmide da figura 3.

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Figura 3 – Três níveis da estratificação social da casa

Este modo de caracterização da „casa‟ como espaço social ainda

existe nas sociedades da América Latina e de África. Compreende-se,

no entanto, que a realidade social de “comunidade da casa” seja, no

nível alto, representada por senhores de engenho, ou por aqueles que

são considerados „elites locais‟; no nível médio ou intermédio, ela é

formada por sociedades de lavradores; e no nível baixo é constituída

por escravos e aldeões.

As escolas, as bibliotecas, os museus, as livraria e os centros

culturais (teatros e cinemas), os centros comerciais e os cafés são „casas

públicas‟ que devem ser entendidas como um espaço de realização da

“vida social, real e imaginária entre a realidade vivida e a sua

representação” (Bourdieu, 1989:113). Os referidos espaços enquanto

„casa‟, caracterizam-se por nomes que, no estudo semiótico, são signos

convencionais porque designam uma classe extensional de objectos.

As casas que se chamam „bibliotecas, escolas, as livraria‟ só têm em

comum o nome. Aqui não há um atributo intencional que as caracterize,

porém, se nós referimos directamente as casas que têm em comum o

nome e uma particularidade de referência, como „biblioteca Espaço por

Timor, Centro Cultural de Belém‟ é certo que aqui há sem dúvida um

atributo intencional que as caracteriza.

Deste modo, a casa enquanto elemento estruturante da vida social

do ser humano pressupõe uma visão específica das funções dos espaços

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públicos, ou seja, enquanto espaço social, ela pressupõe uma visão

específica dos espaços não já como espaços de utilidade privada, mas

como espaços sociais para o uso público. Logo, a casa enquanto espaço

social é uma realidade construída a partir da necessidade do público e,

desta forma, a sua construção surge sempre associada ao território

porque o território enquanto elemento da cultura tem uma forte relação

com os objectos (com a materialidade ou imaterialidade) e as

representações do espaço que são constituídos pela configuração

simbólica. A casa como espaço social, em sentido lato, pode ser entendida como o

largo, a rua, a estação do comboio e do autocarro, o jardim, a esplanada.

Estes espaços podem ser designados metaforicamente como „casa pública‟

não já no sentido „lugar com tecto‟, mas como „lugar aberto‟. São espaços

de cruzamento de pessoas de diferentes níveis (empresários, estudantes,

turistas, etc.,) e evidenciam uma série de relações, como as “mensagens e

sinais” (Prieto, 1973) materiais e imateriais que os definem.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Quando se aborda a problemática do conceito da casa como „espaço

familiar‟ e „espaço social‟, é preciso compreender, em primeiro lugar,

todos os seus componentes – desde as matérias-primas utilizadas para a

sua construção, o valor artístico, a sua vivência até à imagem construída

pela comunidade, quer a imagem do presente quer a do passado; em

segundo lugar, a casa é compreendida como uma projecção da estrutura

dos membros familiares e dos grupos sociais que assenta em certas

hierarquias de poder e de autoridade. Neste aspecto, pode dizer-se que a

casa assume um papel de maior importância para a sociedade, quer

tradicional quer pós-tradicional.

Embora considerada como „espaço familiar‟ e „espaço social‟, a casa

continua a ser o berço de construção da identidade pessoal e colectiva

e de preservação dos valores culturais e dos princípios básicos morais

da família e da sociedade, ou seja, é preciso entender necessariamente

a casa enquanto elemento que intervém de forma continuada no pro-

cesso de valorização das regras familiares, sociais e das relações de

sociabilidade e que já possuí um valor de uso, de apropriação e de

identidade. Assim, as casas – quer no aspecto familiar quer no âmbito social

Paulino, Vicente. 2012. A casa como espaço familiar e espaço social: um estudo semiótico do espaço. In Negro, Francesca (org.), Público privado: o deslizar de uma fronteira, Ribeirão: Húmus, pp.119-134.

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– são espelho da adaptação do homem ao meio geográfico, humano,

histórico e cultural.

Em contextos urbanos, o conceito de „casa‟ não é relevante. A

propósito, os antropólogos vão-se mostrando cada vez mais

insatisfeitos com a ideia de que a modernidade corresponde à difusão

da „família nuclear‟. Na Índia, o debate em torno da velha noção de

joint family vs nuclear family continua vivo. Para Shah (1998), a

perspectiva que enfatiza a relevância do conceito de „casa‟ permite

compreender melhor a complexidade das relações inter-casas no

interior de uma família. Em Timor-Leste, o debate em torno da noção

de núcleo familiar está centralizado na expressão de “composição

multiétnica” e no conceito de “casa” como fundamento da afirmação

identitária (Paulino, 2009, 2012a e 2012b; Mendes 2005; Sousa 2007)

e, por isso, continua a ser objecto de estudo por parte dos académicos.

Em Portugal, também, o conceito de “identidades continuadas” veio

responder a uma necessidade interpretativa semelhante (Cabral,

1991:171-172 e 2003:119-152). No estudo das famílias de elite, a

relação complexa entre família e empresa revela-se paradoxal,

permitindo questionar os lugares comuns eurocêntricos em que assenta

a suposta “nuclearização” da vida familiar (Lima, 2002).

A „casa‟ enquanto pertença da categoria social traduz-se também,

com rara fidelidade, na distribuição do espaço do poder, quer do poder

masculino quer do feminino. Pois no conceito da „casa‟ existe uma

estreita relação entre espaço natural, espaço cósmico e espaço social, na

medida em que a casa é um espaço fisicamente construído e

representado simbolicamente pela divisão do trabalho e pela

diferenciação. No entanto, ao entender-se a casa como espaço social, é

preciso alinhá-la com os mecanismos de construção das identidades de

género, se “nós definimos „espaços identificados por género‟ para neles

incluir os locais específicos que as culturas investem com significados

de género, sítios em que ocorrem experiências sexualmente

diferenciadas ou sítios que são usados estrategicamente para enformar

identidades e produzir e reproduzir relações assimétricas de género,

poder e autoridade” (Low & Lawrence-Zúñiga, 2003:7).

Paulino, Vicente. 2012. A casa como espaço familiar e espaço social: um estudo semiótico do espaço. In Negro, Francesca (org.), Público privado: o deslizar de uma fronteira, Ribeirão: Húmus, pp.119-134.

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