Met rp, minayo

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  • INFORMAO E REPRESENTAES SOCIAIS

    Jos Maria JARDIM

    "O mundo azul"Yuri Gagarin

    RESUMO

    Discute o conceito de representao social nas cincias sociais a

    qual estuda os atores sociais em movimento; suas idias e concepes demundo esto representadas (por isso 'representao social') nas suas falas;

    essas representaes no so necessariamente conscientes sendo uma

    mistura das idias das elites, das grandes massas e das filosofias correntes,

    contendo elementos de dominao e de resistncia; cabe ao pesquisador

    revelar a contradio das representaes sociais as quais podem serestudadas pela Antropologia, Histria da Cultura, Sociologia e PsicologiaSocial.

    Palavras-chave: Representao social; ideologia, informao erepresentao social; sujeito informacional; informao e cinciassociais.

    o conceito de representao social encontra acolhida frequente

    em vrias reas das Cincias Sociais como a Antropologia, a Histria da

    Cultura, a Sociologia, alm da Psicologia Social. Esta presena nestes

    diversos campos de conhecimento constatada juntamente com a percepo

    de uma certa diversidade na dimenso terica do conceito e nas metodologiasdai decorrentes.

    Transinformac;o 8(1): 15-30, janeiro/abril, 1996

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    No que se refere Cincia da Informao, o conceito derepresentao social parece pouco evidente como recurso tericoseja na pesquisa ou nas prticas de gerenciamento da informao.

    Fenmenoshistrico-sociais,os processosde construo,transferncia e uso da informao podem eventualmente ter suaspossibilidades de anlise comprometidas. Tal ocorre, por exemplo,quando o chamado usurio da informao abordado, no mximo,como "sujeito regulado ou complacente, que fica do lado de fora dosistema-mquina de gesto de fluxos de informao" ou seja, "aeliso do sujeito acompanha reificao da informao" (GOMEZ,1994: 147). Mostra-sedesafiador parao pesquisadorou o gerente deinformao desviar-se dos caminhos fetichizantes que transmutam acomplexidadedosujeito informacional nalinearidadedeum "usurioda informao"cujafaceseconfundecomsuas"demandasaosistema".

    A relativizao das noes de distncia e objetividadepelos antroplogos, aopesquisarem sua prpria sociedade, mostra-se oportuna quando das tentativas dos profissionais da informaoem identificarem os usurios e os usos da informao. Atporque "o que sempre vemos e encontramos pode ser familiarmas no necessariamente conhecido e o que no vemos eencontramos pode ser extico mas, at certo ponto, conhecido"(VELHO, 1978: 39). Assim, se no sempre necessrio exotizaro familiar, recomenda-se, no mnimo, estranh-Io, o que possvel,segundo VELHO (Ibid., p.45) "quando somos capazes de confrontarintelectualmente, e mesmo emocionalmente, diferentes versese interpretaes existentes a respeito de fatos, situaes".Considerar um grupo como estranho, lembra CALDEIRA (1992:65) "significa colocar entre parnteses tudo que a gente podeimaginar que sabe sobre ele para poder descobrir o que ele temde fato a nos dizer".

    Trata-se aqui, portanto, de destacar, de forma global, osaspectos inibidores e facilitadores do uso do conceito derepresentaes sociais, tendo em vista as suas implicaes teri-co-metodolgicas na compreensodo ciclo informacional, to caro Cincia da Informao.

    Transinformao8(1 ):'15-30, janeiro/abril,. 1996

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    AS REPRESENTAES COLETIVAS

    Os diversos campos do conhecimento que reconhecem oconceito de representaes sociais, remetem-se ao conceitodurkheimiano de representaes coletivas.

    A conscincia coletiva deque estdotadaa vida coletiva(integrada por fatos sociais) , segundo DURKHEIM, constituda porrepresentaes coletivas, fenmenos que se distinguem de outrosfenmenos da natureza por suas caractersticas peculiares. Asrepresentaes coletivas conservam sempre a marca do substratosocial em que nascem, mas tm uma vida independente: reprodu-zem-se e se misturam, produzindo novas cuja causa so outrasrepresentaessociaise noaestruturasocial.Ressaltando,portanto,a sua autonomia relativa, escreve DURKHEIM (1973: 79) "Asrepresentaes coletivas traduzem a maneira como o grupo pensanas suas relaes com os objetos que o afetam. Para compreendercomo a sociedade se representa a si prpria e ao mundo que a rodeia,precisamos considerar a natureza da sociedade e no a dos individuos.Os slmbolos com que ela se pensa mudam de acordo com a suanatureza (...) Se ela aceita ou condena certos modos de conduta, porque entram em choque ou no com alguns dos seus sentimentosfundamentais, sentimentos estes que pertencem sua constituio".

    E, como tal, na anlise das representaes coletivasconstituem objeto de estudotanto as estruturas como as instituies:"so todas elas maneiras de agir, pensar e sentir, exteriores aoindivduo e dotadasde um podercoercitivo em virtude do qual se Ihesimpe" (Ibid.:p 88). Algumas representaessociais histricasteriammaior poder coercitivo como, porexemplo, ascategorias de religio,moral, espao, tempo etc.

    Constata-se, assim, que autonomia, exterioridade ecoercitividade so caractersticas fundamentais das representaescoletivas em relao ao comportamento e pensamento individuais.Dizendo de outra forma, assinala S (1992: 7) "os indivduos quecompem a sociedade seriam portadores e usurios dasrepresentaes, mas estas no podiam ser legitimamente reduzidasa algo como o conjunto das representaes individuais, das quaisdifeririam essencialmente".

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    Para MOSCOVICI (1978: 21), no entanto, a noodurkheimiana de representaoperde partedo seu interesse quandono analisa explicitamente a pluralidade dos modos de organizaodo pensamento, mesmo que sejam todos sociais.

    AS REPRESENTAES SOCIAIS E A HISTRIA DA CULTURA

    A chamada Histria Cultural tem como um dos seusobjetivos privilegiados as representaes do mundo social,identificando o modo como em diferentes lugares e momentos umarealidade social especifica construda e pensada. Este camporesulta de questes colocadas Histria por novas disciplinas,possibilitando desviar os enfoques das hierarquias para as relaese das posies para as representaes.

    Produtoras de estratgicas e prticas sociais diversas, aspercepesdosocialnoconstituemdiscursosneutros.Considerandoas lutas de representaes sociais to importantes como aseconmicas,CHARTIER(1990:7)observaqueinvestigarasprimeiras"supe-nas como estando sempre colocadas num campo deconcorrncias e de competies cujos desafios se enunciam emtermos de poderededominao". Por isso,o esvaziamentodo debateentre a objetividade das estruturas e a subjetividade dasrepresentaes.

    A histriacultural,segundoCHARTIER(Ibid.,p.19), permiteconciliaraquiloqueFEBVREdesignavapor"osmateriaisde idias"coma noo de "representao coletiva": "pode pensar-se uma histriacultural do social que tome por objeto a compreenso das formas edos motivos ou, por outras palavras, das representaes do mundosocial que, revelia dos atores sociais, traduzem as suas posies einteresses objetivamente confrontados e que, paralelamente,descrevem a sociedade tal como pensam que ela , ou comogostariam que fosse".

    Maisdoqueoconceitodementalidade,assinalaCHARTIER(Ibid., p.23), a noo de representaosocial favorece a articulaode trs modalidades de relao com o mundo social:

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    -"o trabalho de classificao e delimitao que produz asconfiguraes intelectuais multiplas, atravs das quais a realidade contraditoriamente construda pelos diferentes grupos;"

    - "as prticas que visam fazer reconhecer uma identidadesocial, exibir uma maneira prpria de estar no mundo, significasimbolicamente um estatuto e uma posio;"

    - "as formas institucionalizadas e objetivadas graas squais uns 'representantes'marcam de forma visvel e perpetuada aexistncia do grupo, da classe ou da comunidade".

    A anlise das representaes na Histria Cultural refere-se s "classificaes e excluses que constituem, na sua diferenaradical, as configuraes sociais e conceituais prpriasde um tempoou de um espao (...) historicamente produzidas pelas prticasarticuladas (polticas, sociais, discursivas) ..."(Ibid., p.27).

    Portanto, a Histria Cultural volta-se tambm para osestudos dos processos com os quais se constri um sentido, dirigin-do-ses prticas que,de forma plural econtraditria,dosifgnificadoao mundo.

    AS REPRESENTAES SOCIAIS EM OUTRAS CINCIAS SOCIAIS

    A partir do conceito durkheimiano de representaescoletivas, MINA YO (1992) demonstra como o tema dasrepresentaes abordado pordiversos autoresdas cinciassociais.

    Para MAUSS (1979) tanto a coisa, como o fato e arepresentao constituem objeto das Cincias Sociais j que asociedadeseexprimesimbolicamenteem seuscostumeseinstituiesatravs da linguagem, da arte, da cincia, da religio, assim comoatravs das regras familiares, das relaes econmicas e polticas.Chama ateno, porm, para o risco de se reduzir a realidade concepo que os homens fazem dela.

    Segundo MINAYO (Ibid., p.161), "WEBER elabora suasconcepesdo campo das representaessociais atravs de termoscomo 'idias', 'esprito', 'concepes', 'mentalidade', usados muitas

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    vezes como sinnimos e trabalha de forma particular a noo de'viso do mundo'". Tal como DURKHEIM, WEBER reconhece umcertograude autonomiadomundodasrepresentaeseos caminhosde anlise da eficcia histrica das idias. Por outro lado,deixa claroa necessidade de se corresponder a que instncias do socialdeterminado fato deve sua maior dependncia.

    A partir do termo "sensocomum", SHULTZ apud MINAYO(Ibid., p.164) aborda as representaes sociais, considerando que aexistnciacotidiana"dotadadesignificadose portadoradeestruturasde relevncia para os grupos sociais que vivem, pensam e agem emdeterminado contexto social". Tais significados so selecionadosatravs de construes mentais, de "representaes"do "sensocomum", e